POR QUE INTERPRETAR DESENHOS? POR QUE NÃO?

"A linguagem das imagens é, assim como a dos sonhos, a linguagem do inconsciente, que surge quando a voz da consciência falha." (Furth, 2006)

Olá queridos! A minha intenção com este post é despertar o interesse de vocês em relação ao fantástico mundo de interpretação de desenhos.

Nesta semana reli "O Mundo Secreto dos Desenhos - uma abordagem junguiana da cura pela arte" de Gregg M. Furth e fiquei encantada pela forma como o autor apresenta um tema tão rico de forma simples e compreensível. Espero que gostem!


Logo no início da obra, o autor afirma que desenhos são uma das ferramentas mais eficazes e acessíveis à disposição do analista pois são apenas necessários papel e lápis-de-cor. Desenhar pode ser terapêutico por si, pois permite a expressão e a comunicação. Mas por que interpretar?

Porque os desenhos trazem conteúdos inconscientes. Para o analista, se o conteúdo inconsciente é decifrado, ele fornece insights terapêuticos de grande valor, tanto para o paciente, quanto para os familiares.

A psicologia analítica tem como objetivo compreender o que o inconsciente está dizendo e trazer esses conteúdos para o consciente, tornando o indivíduo mais consciente. Nos desenhos, temos o aparecimento de símbolos. Esses símbolos liberam a energia psíquica inconsciente, permitindo que ela flua até um nível natural. Com mais energia psíquica disponível e fluindo, a pessoa tem a possibilidade de trazer elementos inconscientes para à consciência e relacionar-se com eles para transcender o problema. Assim, o problema não possui mais a pessoa; é a pessoa que domina o problema.

Furth destaca a importância de não esquecer que tudo o que é produzido é absolutamente individual. Portanto, não é possível ficar preso à teorias, negligenciando a história e o contexto atual da pessoa que criou a imagem. Os analistas não devem exagerar no uso de perguntas para satisfazer sua necessidade pessoal, até porque as respostas dadas são uma tentativa do paciente de chegar a uma explicação racional, o que geralmente pouco tem a ver com o inconsciente. O foco é sempre o cliente, sua criação, o sentimento que ela transmite, os conteúdos inconscientes que aparecem nela e a história que ele conta.

Outro cuidado que os analistas devem ter é o de não projetarem seus próprios complexos nas figuras. Este fato pode ser percebido quando o profissional fica fixado por apenas um aspecto da imagem, não conseguindo enxergar a totalidade do desenho.

O autor destaca três premissas e três princípios na interpretação de desenhos que cito a seguir:


Premissas na Interpretação de Desenhos

  1. Existe um inconsciente e os desenhos se originam onde se originam os sonhos.

  2. Confiar na figura e que ela é um método válido para transmissão do conteúdo inconsciente.

  3. Psique e soma ou mente e corpo estão inerentemente ligados. (Lembrando que quando falamos em psicologia analítica falamos na busca pela totalidade do indivíduo, assim não podemos separar esses conceitos)

Princípios na Interpretação de Desenhos

  1. Prestar atenção a primeira impressão causada pelo desenho.

  2. Analista aja como um pesquisador.

  3. Sintetizar o que se descobriu a partir dos componentes individuais e reunir essa informação em um todo.

Na seqüência, o autor enumera 31 pontos focais a serem avaliados. Acho que não cabe trazer todos eles aqui, mas gostaria de citar alguns, à título de exemplificação:

  1. Que sentimentos o desenho transmite?

  2. O que parece estranho?

  3. Obstáculos

  4. O que está faltando?

  5. O que é central?

  6. Tamanho

  7. Objetos repetidos

  8. Movimento

  9. Cheio x Vazio

e assim por diante. Furth discorre sobre cada um dos pontos focais, explicando-os e exemplificando-os. O livro é rico em imagens e essas trazem clareza da compreensão dos conceitos.

O autor critica as teorias de divisão dos desenhos em quadrantes, mas traz a proposta de divisão do papel de Jolles (1977), que divide a folha em metades superior e inferior e lados esquerdo e direito, ressaltando que o significado pessoal do posicionamento das figuras no desenho é sempre o mais válido.


Espero que tenha conseguido incitar a curiosidade de vocês. Até mais! Sempre à disposição! ; )


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